O que há de mais concreto no amor?

Há no senso comum uma ideia um pouco preguiçosa sobre a linguagem do amor. Dividida em cinco tipos, ficam as palavras de afirmação, tempo de qualidade, atos de serviço, presentes e o toque físico. O problema é que generosidade, dedicar atenção exclusiva, demonstrações afetuosas, o simbolismo dos presentes ou fazer a janta e lavar a louça - quando não consideradas o básico a se fazer - são apenas maneiras de lidar com o objeto central dos discursos amorosos: a angústia, o afeto que não mente (Lacan) e, talvez por isso, condição para o amor. Pode até ser uma escolha, mas o amor não acontece sem perdas. Como lidar com o sentimento de perda da autonomia e do poder de escolha individual? Sem ignorar o sofrimento da não correspondência, como compreender a atração pela pessoa mais "difícil"? E, antes de tudo, como se encontrar no amor se o que está na mira são os supercasais bem resolvidos que existem (apenas) nas redes sociais?

O amor nunca foi um tema secundário para a psicanálise; ele é o seu próprio fundamento. Desde o nascimento da clínica até as formulações teóricas mais complexas, o percurso analítico se articula por aquilo que é da ordem da transmissão de um não-saber. Longe de ser um sentimento meramente idealizado, o amor é tratado como a força motriz que une os sujeitos, repete as marcas de nossas primeiras ligações afetivas e viabiliza o próprio tratamento psicanalítico.

Todo sofrimento demanda um tipo de reconhecimento, e o espaço de análise é dedicado ao acolhimento, mas também à possibilidade de um reposicionamento mais implicado diante daquilo que nos captura, permitindo que a urgência da felicidade plena dê lugar à elaboração de outras perspectivas dentro do imaginário do amor

"A psicanálise é, em sua essência, uma cura pelo amor" (Freud)

Podemos dizer que as experiências que ultrapassam a nossa capacidade de imaginação são acontecimentos que nos marcam, e a carga afetiva excedente pode ganhar outras tonalidades quando as palavras conseguem produzir um reencontro de perspectivas temporais, onde o sujeito descobre que o seu desejo não precisa ser apenas um eco daquilo que o Outro esperava dele, permitindo que a história do eu se reconheça, finalmente, na história dos seus próprios desejos desejados (Lacan).

Além das sessões em dupla, com o casal, também oferecemos atendimentos em sessões individuais, disponíveis nos formatos online e presencial.

Por Leticia Alves, psicóloga/psicanalista e Gabriel Hirata, psicanalista

Atendimentos individuais e com casais

Acordados Terapia para Casais

Leticia Alves | psicanalista e psicóloga - CRP 06/210499
Gabriel Hirata | psicanalista

Atendimento online e presencial

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